Setor de proteína animal avança em iniciativas ESG

27 de outubro de 2021 5 mins. de leitura
Estratégias de companhias como JBS, Minerva, Marfrig e BRF compreendem reciclagem de resíduos, energia renovável e deter fim do desmatamento

Sempre na mira de ONGs e de países importadores de carnes, as indústrias brasileiras do setor de proteína animal vêm investindo pesado em iniciativas que atendam aos critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa – a tão falada sigla ESG, em inglês (environmental, social and corporate governance). Além de construírem estratégias para garantir rastreabilidade total dos fornecedores de animais para abate, sobretudo no bioma Amazônia, essas empresas aplicam pesados recursos em processos industriais mais sustentáveis, como aqueles ligados à economia circular. 

A JBS, maior companhia do setor de carne bovina do mundo, por exemplo, foi a primeira a anunciar o compromisso de zerar o saldo líquido das suas emissões de gases do efeito estufa até 2040, com investimentos de US$ 1 bilhão em nove anos. Além de vetar a compra de gado de áreas com pendências socioambientais, o projeto adota, em todas as empresas do grupo, como a JBS Ambiental, a marca Swift e a JBS Biodiesel, a economia de energia e a destinação correta dos resíduos dos processos produtivos. Muitos deles são, inclusive, reciclados. 

Para tanto, a JBS Ambiental investirá até o fim deste ano R$ 13 milhões em sete unidades de reciclagem nas suas plantas produtivas. Um dos materiais que passarão pelas unidades será o plástico. “No chamado Ciclo Fechado do Plástico, os resíduos entram como matéria-prima para um novo ciclo e são transformados em produtos reciclados, como sacolas, lonas e capas plásticas, filmes shrink, pallets e estrados, além de gaiolas plásticas para o transporte de aves e o ‘piso verde’”, esclarece a empresa. Este último é utilizado na pavimentação de obras da própria empresa em suas unidades no País.

A energia elétrica renovável é outro ponto de destaque dentro da gigante de alimentos. A meta é avançar no uso de energia limpa de 46% para 60% até 2030 nas operações globais da companhia. Depois dessa primeira etapa, a expectativa é chegar a 2040 com 100% da energia utilizada proveniente de fontes renováveis, informa a JBS.

Em meio à crise energética global e às exigências por sustentabilidade, outras gigantes do setor de proteína animal também investem. A BRF, por exemplo, tem 93% da energia que utiliza proveniente de fontes renováveis e o objetivo, até 2030, é ser autossuficiente, gerando energia a partir de placas solares e geração eólica. “O consumo de energia é acompanhado diariamente pelas nossas equipes de eficiência energética, que monitoram, tratam desvios pontuais e propõem planos de ação se preciso”, informa a empresa, acrescentando que tem o objetivo de zerar o balanço de emissões de carbono até 2040, tanto nas próprias operações quanto na cadeia produtiva. 

Parte desses esforços relacionados à geração própria de energia está ligada a uma parceria entre a BRF e a Pontoon, anunciada no mês passado, para a construção de um parque de energia solar em Mauriti e Milagres, no Ceará. Ao todo, R$ 1,1 bilhão será investido, sendo R$ 50 milhões de investimento direto da BRF. O projeto de energia solar vem na esteira de outro mais antigo, de energia eólica, em parceria com a AES Brasil, que incluiu aportes de R$ 130 milhões.

O foco em ESG também chegou à outra ponta da cadeia, com um projeto da BRF feito em parceria com o Banco do Brasil para financiar a instalação de painéis solares em granjas integradas, a fim de aliar a utilização de energia solar e o aumento de produtividade. “Para implementar agricultura de baixo carbono nas cadeias de aves e suínos, a BRF dará escala à utilização de energia solar aos mais de 9,5 mil produtores integrados, bem como em incubatórios e granjas próprias”, informou a empresa.

Energia solar: BRF prevê investimento de R$ 1,1 bilhão nesta fonte renovável (Fonte: ANDREAS GUCKLHORN/Reprodução)

Desmatamento segue na mira de frigoríficos

O desmatamento também está no foco das grandes companhias de carne bovina. A Minerva diz que já monitora 100% das compras diretas de gado realizadas nos biomas Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica e pretende ampliar a cobertura para 100% dos fornecedores diretos no Paraguai até o fim do ano; na Colômbia, até 2023; no Uruguai, até 2025, e, em toda a América do Sul, até 2030. O monitoramento checa a conformidade socioambiental das fazendas pecuárias.

Neste semestre, a Minerva adiantou em 4 meses a adoção da ferramenta Visipec, que avalia e registra os riscos relacionados aos fornecedores indiretos – aqueles que vendem bezerros e bois magros para as fazendas de engorda, que mandam o animal para abate.

A Marfrig também já conta com 100% da cadeia de fornecedores diretos mapeados, e quer ampliar o rastreamento na Amazônia e no Cerrado para os indiretos até 2025 e 2030, respectivamente. O projeto faz parte do Plano Marfrig Verde Mais, lançado em 2020 e que preza por uma produção 100% livre de desmatamento, de baixo carbono, além de ser 100% rastreada.

Já a JBS, além de também criar uma plataforma para monitoramento de fornecedores diretos e indiretos de gado e o Fundo Amazônia, anunciou em junho que vai adiantar em cinco anos, de 2030 para 2025, sua meta de alcançar o desmatamento ilegal zero nos biomas Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga. O prazo para essas regiões vem se igualar, agora, com o bioma Amazônia.

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