Política dos EUA deve direcionar mercado de grãos

4 de dezembro de 2018 4 mins. de leitura
Acordos firmados durante o G-20, como o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), podem impactar os mercados de milho e trigo
Investidores dos mercados futuros de soja, milho e trigo iniciam a semana tendo como norte importantes desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos. Na última sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o presidente do México, Henrique Peña Nieto, assinaram o novo acordo comercial entre os três países, o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que substituiu o antigo Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e deve ter efeitos principalmente sobre os mercados de milho e trigo. A assinatura ocorreu em Buenos Aires, durante o encontro dos líderes do G-20. Os futuros de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) devem refletir o resultado do encontro entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, no último sábado em Buenos Aires. Os dois líderes deveriam se reunir em um jantar na capital argentina após a cúpula do G-20. Na semana passada, o tom do mercado foi otimista, embora ainda houvesse muitas incertezas quanto a um acordo comercial entre os dois países. O vencimento janeiro da oleaginosa subiu 7,50 cents (0,85%) na sessão anterior e terminou em US$ 8,9475 por bushel. Na semana, o contrato acumulou ganho de 1,6%. “Eu posso citar pelo menos cinco cenários diferentes sobre o que poderia acontecer, cada um com uma probabilidade diferente, e cada um com diferentes implicações de preço para os grãos”, disse na sexta-feira Charlie Sernatinger, da ED&F Man Capital Markets. O mercado de soja em particular via o encontro como o mais importante do ano porque poderia sinalizar o fim da disputa comercial que afetou as exportações dos EUA e prejudicou seriamente produtores do país. No fim de agosto, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) anunciou uma ajuda de US$ 4,7 bilhões a agricultores prejudicados por disputas comerciais. A maior fatia, de US$ 3,6 bilhões, foi destinada a produtores de soja. No caso do milho , os futuros fecharam em alta na sexta-feira em Chicago após a assinatura do USMCA, que pode resultar em vendas maiores de grãos dos EUA para os outros dois países. O vencimento março do grão subiu 4,50 cents (1,21%), para US$ 3,7775 por bushel. “O acordo é maravilhoso para nossos agricultores”, disse Trump. No ano passado, os EUA exportaram US$ 3,2 bilhões em milho e produtos de milho para o México e o Canadá, segundo a Associação Nacional dos Produtores de Milho. O México, um dos maiores mercados estrangeiros para as exportações agrícolas dos EUA, diminuiu suas compras após o início da disputa comercial entre os dois países, mas voltou a importar milho norte-americano depois do anúncio de um acordo em agosto. Os ganhos foram limitados pela queda do petróleo, que diminui a competitividade relativa do etanol. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com milho. Quanto ao trigo, os futuros negociados na CBOT também fecharam em alta na sexta-feira, igualmente impulsionados pela assinatura USMCA. No começo de outubro, quando o novo acordo foi anunciado, o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse que o Canadá iria rever seu sistema de classificação de trigo, que ele chamou de discriminatório. Produtores dos EUA se queixavam de que o trigo norte-americano recebia automaticamente a classificação mais baixa no Canadá simplesmente pelo fato de vir de outro país. Na CBOT, o vencimento março do trigo avançou 8,00 cents (1,58%) e terminou em US$ 5,1575 por bushel. Em Kansas City, igual vencimento do trigo duro vermelho de inverno subiu 7,75 cents (1,57%), para US$ 5,0025 por bushel. Confira a matéria na íntegra no Broadcast Agro.
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