Perspectivas do agronegócio para os próximos 12 anos

17 de outubro de 2018 5 mins. de leitura
Estudo realizado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) aponta caminhos para aumentar a produtividade e ampliar o mercado do setor até 2030
O Brasil tem um enorme desafio à frente: aumentar a produção de alimentos em 30% nos próximos 12 anos. Embora essa não seja exatamente uma novidade para autoridades responsáveis pela agricultura e pecuária, a busca por esse objetivo tem movimentado os dois setores em termos de reformas, novas tecnologias e acesso a créditos e investimentos. Em ano de eleição, aliás, essa discussão é muito bem-vinda. Nesse sentido, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), que atua para que o País desenvolva projetos de médio prazo, elaborou o documento O Futuro É Agro 2018-2030. Feito em parceria com o Conselho do Agro, o relatório reúne vários temas pertinentes ao crescimento do setor, como a urgência sobre a definição de normas regulatórias, a importância de desatar alguns gargalos e o passo a passo para transformá-los em oportunidades, além de questões relacionadas à estocagem de produtos e a necessidade de investimentos para aumentar a produtividade. Alguns desses assuntos foram abordados por Bruno Lucchi, superintendente técnico da CNA, em conversa com o Canal Agro. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Bruno Lucchi, superintendente técnico da CNA
Foto crédito: Tony Oliveira/CNA
O agronegócio é o grande destaque da economia brasileira, mesmo assim não deixa de reivindicar reformas. Quais são as mais importantes? As principais reformas que o Brasil precisa fazer afetam todo o setor da economia e, por isso, influenciam também o agronegócio. É preciso que o governo melhore o ambiente regulatório, cumpra suas obrigações e estimule a competitividade. Além disso, é importante permitir a vinda de empresas privadas que desejam investir no País e estão esperando as definições sobre o que vai acontecer em relação às concessões. A CNA estima um prejuízo de R$ 2 bilhões por ano em razão do déficit de estocagem. O que está incluído nesse prejuízo? Esse prejuízo tem vários motivos, um deles é a falta de espaço para estocar. Por isso, o produto fica a céu aberto e exposto à perda de qualidade. Como não tem onde colocar o grão, o produto é vendido imediatamente após a colheita, o que reduz o valor de mercado, já que nesta uma época há muita oferta de grãos. Dessa forma, o produtor recebe menos do que poderia. Como resolver? Um dos pontos relacionados à armazenagem é o Programa de Construção e Ampliação dos Armazéns, uma linha de financiamento do BNDES para construção, ampliação, modernização ou reforma de armazéns de produtores ou cooperativas rurais. O governo precisa mapear as regiões onde há mais déficit de armazéns e, a partir desses dados, aprimorar a política de financiamento e ampliação dos espaços. Isso ajudará o escoamento dos grãos e oferecerá aos produtores melhores condições para ter seus próprios armazéns e melhores vendas. Quais áreas e empresas podem crescer na questão dos gargalos do agronegócio brasileiro? Os investidores poderão, por exemplo, nadar de braçada na área de armazenagem e no setor de tecnologia e maquinário. Nos mercados de seguro e investimento, as fontes de financiamento devem se diversificar e receber mais recursos de títulos do agronegócio, além de um novo arcabouço regulatório. Hoje, de todo o crédito rural, 37% vem de recurso oficial, 30% de cooperativa e 30% do financiamento privado. Esse cenário pode mudar. Ainda em relação ao crédito, deve aumentar a personalização dos investimentos, moldados no tipo de cultura e produção. Por que é importante integrar o pequeno e médio produtor na cadeia de recurso, investimento e lucro? Quando falamos em exportação e potencial do agro no Brasil, não falamos só sobre o grande produtor. Por exemplo, na cultura de café, o País é um dos maiores exportadores, mas quem produz é o pequeno e médio, que vende por meio de cooperativas. As empresas maiores, como BRF e JBS, também compram de produções menores. O grande problema do pequeno e médio produtor, às vezes, é escala, porque já que é em menor quantidade, também há menor poder de negociação no valor de insumos e frete. Então, como fortalecer esses pequenos e médios produtores? Por meio da capacitação técnica e de gestão. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), vinculado à CNA, está promovendo assistência técnica para 70 mil produtores. O objetivo do programa é fazê-los ganhar dinheiro e se manter no campo de maneira digna e sustentável.  A ideia não é só aumentar a produção. Também buscamos estimular o controle do gasto e ajudar a priorizar investimentos de acordo com a cultura. Nessa área, qual o espaço para políticas públicas? Além de política pública, é preciso ter política social. Para cada tipo de “classe” de produtor há uma demanda. Para os de classe A e B, responsáveis por 78,38% do valor bruto de produção do agronegócio, segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, são necessárias políticas de logística, tecnologia e abertura de mercado. Já a classe C precisa de políticas que agreguem valor ao produto.
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