Algodão nacional vive boa fase

26 de junho de 2019 3 mins. de leitura
Queda recente nos preços da pluma não compromete o setor, uma vez que 70% da produção que começará a ser colhida em julho já está vendida
Brasil conquistou a segunda colocação no ranking dos maiores exportadores da fibra

O preço do algodão no mercado internacional vem oscilando bastante nos últimos meses. No início de abril, a pluma estava US$ 78 cents/libra-peso, mas a cotação despencou para menos de US$ 68 cents/libra-peso no início de junho.

No entanto, segundo Milton Garbugio, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), esse cenário não compromete a safra atual. “Praticamente 70% do algodão que vai ser colhido já está vendido”, afirma o presidente, que também é produtor de algodão em Campo Verde (MT) e tem uma área de 1.700 hectares destinados à cultura.

O resultado é reflexo de um ganho de competitividade que vem sendo registrado no setor nos últimos anos. “Aumentamos não só a área, mas a produtividade por hectare”, explica o presidente. De acordo com os números da Abrapa, na safra 2017/2018, o Brasil aumentou em 27% a área plantada e em 32% o volume produzido, atingindo um patamar recorde de produtividade de 1.817 quilos de pluma por hectare.

Já na safra atual (2018/2019), que começa a ser colhida no próximo mês, a área destinada ao algodão ultrapassou 1,5 milhão de hectares, uma alta de 34% em relação ao ciclo anterior. Os bons preços da commodity na época do plantio – ocasionados pela queda nos estoques mundiais da fibra – também motivaram o crescimento da safra.


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Segundo maior exportador de algodão

Tal posicionamento fez com que o Brasil conquistasse a segunda posição no ranking mundial dos maiores países exportadores da fibra, de acordo com o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês). Até o ano passado, o País ocupava a quarta posição.

Hoje, o Brasil é também o quarto maior produtor de algodão do mundo, e a qualidade da fibra nacional, segundo Garbugio, é tão boa quanto a dos concorrentes. De agosto de 2018 até junho de 2019, as remessas de pluma ao exterior já somaram mais de 1,1 milhão de toneladas e levaram o País a atingir US$ 1,9 bilhão de divisas, superávit recorde na balança comercial do algodão(exportações – importações).

Dentre os principais destinos da pluma nacional, destacam-se China (35%), Indonésia (15%), Vietnã (13%), Bangladesh (11%) e Turquia (7%), que juntos representam 81% do volume. As exportações brasileiras na safra 2018/2019 devem aumentar em 10% e ultrapassar 1,5 milhão de toneladas de algodão enviadas ao exterior, segundo a previsão do ICAC.

Efeito da guerra comercial  entre EUA e China

Entre os temores do setor algodoeiro, está o receio de enfrentar dificuldades para exportar, já que apenas o Porto de Santos possui fluxo de contêineres para a Ásia. “Em função da briga comercial entre Estados Unidos e China, às vezes faltam contêineres para colocar o algodão e enviar para fora”, diz Garbugio.

Quanto à futura safra de algodão (ciclo 2019/2020), o presidente da Abrapa diz que é muito cedo para saber, já que os preços estão oscilando muito. “O produtor que também planta soja, milho e algodão vai precisar fazer as contas e ver o que vai compensar”, diz. “Não sei se o Brasil vai aumentar a área plantada, mas, na pior das hipóteses, vai manter”, finaliza Garbugio.

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