Como as queimadas atrapalham o desenvolvimento das plantas?

20 de outubro de 2020 5 mins. de leitura
A fumaça e a deterioração do solo são problemas que afetam o agronegócio a longo prazo e em larga escala

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As queimadas nos biomas brasileiros estão atingindo índices preocupantes. Além de destruir a fauna e a flora de grandes regiões que são fundamentais ao equilíbrio ambiental, esse problema tende a trazer também prejuízos à saúde humana e ao agronegócio. 

O avanço do fogo costuma ser um problema mais sério em períodos mais quentes e secos, em que é difícil controlar as chamas, que se espalham por florestas e plantações. Assim, o manejo do fogo, que em princípio é controlado, pode destruir biomas importantes para o equilíbrio ambiental.

No entanto, há dois elementos que nem sempre são perceptíveis quando se vê uma queimada: o solo, que sentirá os efeitos disso por anos, e a fumaça, que se estende por muitos quilômetros. 

Saiba como esses fatores podem ser problemas sérios para o meio ambiente e a produtividade do agronegócio, que passa a ser menor e com custos de produção mais altos.

Solo

O empobrecimento do solo afeta as culturas do local por até cinco anos. (Fonte: Shutterstock)

O fogo das queimadas traz uma série de malefícios às plantas, ao solo, aos animais do entorno e às pessoas, que também se expõem à fumaça tóxica e podem ter sua fonte de renda comprometida.

Dessa forma, por baixo da destruição perceptível, restam um dos maiores impactos: a degradação do solo. Este é um dos problemas mais graves, porque pode se estender por até cinco anos após a queimada. O fogo elimina nutrientes essenciais às plantas, por exemplo nitrogênio, potássio e o fósforo, e reduz a umidade do solo. Por isso, é comum que essas áreas sofram mais erosão e, se o processo se repetir, podem chegar a se desertificar.

Portanto, não se trata de um problema apenas para a vegetação plantada, mas também para aquela que poderá ser cultivada a curto e médio prazo.

Fumaça

Imagem de satélite divulgada pelo Inpe mostra o deslocamento da fumaça iniciando em 8 de setembro — Foto: Inpe/Programa Queimadas
A fumaça compromete a qualidade do ar e pode afetar a luminosidade das plantações em escala continental. (Fonte: Inpe/Reprodução)

Outro problema sério causado pelas queimadas é o fato de a fumaça se propagar indefinidamente, afetando outras regiões e até outros países. Além da qualidade do ar, que tem uma íntima relação com a saúde humana, isso afeta as plantações, uma vez que passam a ter menos luminosidade.

Esse problema é relevante porque afeta diretamente a qualidade da produção — os vegetais se desenvolvem a partir da fotossíntese, que usa a luz solar como energia. Assim, ao encobrir o Sol, a fumaça afeta todo o ciclo de vida das culturas.

As frutas são um exemplo. A fumaça pode atrasar o crescimento ou mesmo torná-las menos atraentes ao consumo. O Brasil é o maior exportador de laranjas do mundo e sabe-se que a redução da luminosidade torna os frutos mais azedos, perdendo valor no momento da venda. 

Além disso, existe um movimento mundial no sentido de garantir a sustentabilidade no mundo agro. Por isso, a queimada é um problema que pode afetar o agronegócio também do ponto de vista da reputação do Brasil, que perde credibilidade e se torna um exportador menos atraente aos negócios internacionais.

Causas 

A queima da cana-de-açúcar elimina as folhas secas e verdes, otimizando a colheita, mas pode causar incêndios de grande proporção. (Fonte: Shutterstock)

As queimadas são uma técnica usada por agricultores de forma a preparar o solo antes do plantio. Seu principal objetivo é derrubar a vegetação para deixar o solo aberto ou para controle de emergências fitossanitárias (doenças graves na lavoura, por exemplo), mas, exceto em casos extremos, ela não traz benefícios. Ao contrário, causa perda de nutrientes, razão por que as colheitas costumam apresentar um déficit na produção, que pode se estender por anos após a queimada.

Por isso, quem costuma optar por essa técnica são dois grupos bastante distintos: agricultores familiares que não possuem recurso para adotar outras técnicas para abrir o campo ou grandes proprietários que precisam manejar áreas muito grandes. 

Esse é um fenômeno que preocupa, pois, em 2018, o Brasil apresentou cerca de 80 focos de queimada. Apenas até 16 de setembro, o número de focos de 2020 ultrapassou o número de 130 mil (mais de 40 mil dos focos foram registrados na última quinzena).

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Fonte: Embrapa, Inpe, Fapespe Estadão.