Guerra comercial entre Estados Unidos e China beneficia o Brasil, dizem especialistas

13 de novembro de 2019 3 mins. de leitura
Este foi o principal tema do painel “Exportações, blocos comerciais e China”, do Summit Agronegócio 2019, evento organizado pelo Estadão

As implicações da guerra comercial entre Estados Unidos e China foram o mote do primeiro painel do Summit Agronegócio 2019, evento organizado pelo Estado, que este ano trouxe à tona a temática: “Tecnologia para alimentar e preservar o planeta – O agronegócio se reinventa”.

O consultor de agronegócio e diretor-geral da The Hueber Report, Dan Hueber, destacou que “todo mundo reconhece que Estados Unidos e China precisam caminhar para um acordo”. No entanto, enquanto isso não acontece, Marcos Jank, professor sênior de agronegócio do Insper, ressalta que o embate entre os dois gigantes beneficia o Brasil, que aumentou consideravelmente suas exportações de soja para o gigante asiático no ano passado.

De acordo com Jank, “não se trata de uma guerra comercial, mas de uma guerra por hegemonia”. No momento, a disputa tem favorecido as exportações brasileiras de grãos e também de carnes. Sobretudo este ano, em que a China está enfrentando um surto de peste suína africana, doença que tem levado os chineses a abater boa parte do plantel.


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Segundo o Rabobank, a produção de suínos na China, maior produtor mundial, deve fechar 2019 com uma baixa de 40%. Na opinião de Renato Lima Rasmussen, diretor de Inteligência de Mercado da INTL FCStone, o Brasil precisa aproveitar este momento em que os chineses estão abertos a novas parcerias para conquistar espaço e “promover mudanças de hábitos”.

Ele se refere ao fato de a proteína mais consumida na China ser a carne suína. No entanto, este ano os chineses estão importando mais carnes bovina e de aves. Isso porque não existe no mundo produção de suínos suficiente para atender à demanda provocada pela peste suína africana no gigante asiático.

Marcelo Martins, diretor executivo da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos), abordou a dificuldade enfrentada pelo setor para abrir o mercado chinês aos produtos nacionais. “Começamos as negociações há cinco anos, mas no último ano, por uma questão geopolítica, a China decidiu expandir o número de parceiros [comerciais], e tudo fluiu”, explica.

Neste ano, logo após uma das visitas da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o governo chinês anunciou a abertura do mercado para os produtos lácteos brasileiros. “A China importa 110 mil toneladas de queijo por ano, e esse segmento cresce 13% ao ano”, diz Martins. Esse é o nicho que o Brasil pretende atacar, já que em leite em pó a indústria nacional não tem competitividade; os custos internos deixam o produto 20% mais caro que os concorrentes.

Jank salienta a importância de estabelecer uma negociação de médio e longo prazo com o gigante asiático. “Em carnes, eles sempre deram preferência para a autossuficiência. Mas vivem uma crise interna. Por isso estão abertos, o que não significa que continuarão abertos”, finaliza o professor.

Por Lívia Andrade

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