Edição genética pode revolucionar a agricultura

13 de junho de 2019 3 mins. de leitura
CRISPR é o nome da técnica que permite editar genes das plantas, melhorando a produtividade e a qualidade dos alimentos

Genoma é o código genético que carrega todas as informações de um ser vivo, incluindo as plantas. Nele há características desejadas e indesejadas. O sonho de todo cientista era poder silenciar as especificidades não benéficas, como os genes que deixam a planta mais vulnerável a uma determinada doença. No entanto, as técnicas de edição genética existentes até 2011 eram muito caras e demoradas.

Naquele ano, pesquisadores norte-americanos, observando como as bactérias se defendiam de viroses, descobriram a Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats (CRISPR), uma ferramenta de edição genética que permite desligar genes com atributos ruins. “A técnica de edição genética CRISPR consiste na criação de uma planta melhorada e sem a inclusão do DNA de uma espécie diferente, permitindo o cultivo de plantas ainda mais nutritivas e com maior agilidade e eficiência”, explica Sandra Milach, líder de Pesquisa, nos Estados Unidos, da Corteva.

“Os consumidores estão exigindo alimentos cada vez mais saudáveis para suas famílias e para o planeta”, Sandra Milach, líder de pesquisa da Corteva

Para a pesquisadora, a ferramenta chegou no momento certo. “Plantas estão sob ataque devido a mudanças climáticas, secas, inundações, ondas de calor, doenças e pragas. Ao mesmo tempo, nossa população está crescendo, e os consumidores estão exigindo alimentos cada vez mais saudáveis para suas famílias e para o planeta”, diz.

Segundo Milach, a técnica vai ajudar a indústria no desafio atual de produzir mais comida, para alimentar uma população mundial em crescimento, com menos recursos. “Com ela, poderemos investir em culturas que sejam resistentes às pragas e às doenças, que tenham maior produtividade e que sejam capazes de resistir a condições climáticas extremas (seca), necessitando de menos insumos (água ou fertilizantes)”, explica.

Acordo para novas pesquisas

Neste contexto, no final de abril deste ano, a Corteva assinou um Termo de Compromisso com a Embrapa para desenvolver pesquisas com CRISPR. O acordo prevê a utilização da técnica para desenvolver sementes de soja tolerantes ao estresse hídrico e resistentes a nematoides.

De acordo com Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja, “a técnica é simplesmente um corte de DNA com precisão, que permite o desenvolvimento de variabilidade genética semelhante ao que poderia ser obtido pelo melhoramento clássico ou outros processos da natureza”.

Por essa característica, os produtos oriundos desse processo têm sido considerados convencionais pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Recentemente, ela aprovou dois materiais obtidos por meio de CRISPRs: uma levedura para produção de álcool e um milho com baixo teor de amilose, muito útil para a produção de papel.

A parceria entre Corteva e Embrapa também engloba pesquisas na área de agricultura digital, termo que designa a análise de dados gerados por softwares, sensores, drones, satélites, que permitem ao agricultor tomar uma melhor decisão sobre como proceder na sua lavoura.

Este conteúdo é patrocinado por Corteva.
Gostou? Compartilhe!