Mato Grosso assina primeiro seguro avícola do mundo

29 de outubro de 2019 5 mins. de leitura
O título foi contratado pela Associação Mato-Grossense de Avicultura e protege os produtores contra eventuais focos de influenza aviária e doença de Newcastle, enfermidades com efeitos catastróficos para o setor

Nesta semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, assinou o primeiro programa de seguro sanitário para avicultura do mundo. O título foi contratado pela Associação Mato-Grossense de Avicultura e protege os produtores de eventuais focos de influenza aviária e doença de Newcastle.

O seguro sanitário para avicultura vem sendo pensado desde 2012. Naquele ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) junto com a Empresa Brasileira de Monitoramento Agropecuário (EBM.AGRO)começaram um estudo com a academia, instituições de pesquisa, defesas sanitárias estaduais e federal, produtores indústrias, seguradoras, resseguradoras, entre outros. O objetivo é blindar o setor contra eventos catastróficos.

Dessas discussões surgiu o primeiro programa de seguro sanitário para avicultura do mundo, que tem como seguradora a canadense Fairfax. A ideia é utilizar os recursos dos fundos privados de defesa sanitária, que alguns Estados possuem, para contratar o serviço.

“O fundo tem uma quantia arrecadada e contrata um capital, que seria o limite máximo de indenização”, diz Ricardo Sassi, da Proposta Seguros, a corretora que viabilizou a contratação do seguro.


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Produtor paga menos

Se fosse para o fundo ter a quantidade de dinheiro necessário para indenizar os produtores no caso do surto de uma dessas doenças, o gestor teria que cobrar uma taxa muito alta dos associados. “Com o seguro, ele transfere os riscos, e os produtores pagam uma taxa mais barata”, explica Sassi.

No caso da avicultura, a apólice engloba a influenza aviária e doença de Newcastle. A primeira é causada pelo vírus influenza tipo A e nunca foi registrada no Brasil. Mas trata-se de uma enfermidade extremamente contagiosa, que atinge várias espécies de animais e também humanos. A segunda é uma doença viral já registrada há cerca de 15 anos em criação de aves de fundo de quintal no Brasil, mas nunca em criações comerciais.

Mesmo estando atualmente livre das duas doenças, o Brasil deu um passo no intuito de se prevenir dessas enfermidades, que podem ser catastróficas não só para o produtor, mas também para toda a sociedade.

A constatação dessas doenças leva ao abate das aves contaminadas, provoca a suspensão das exportações, o que gera um prejuízo em efeito dominó. O primeiro atingido é o produtor, depois vem a agroindústria e toda a cadeia de suprimentos, que demitem funcionários, aumentando o desemprego, causando a perda de renda da população e uma série de complicações sociais.

O Estado de Mato Grosso é o sétimo no ranking dos maiores produtores de frango do Brasil (Foto: Noaldo Santos)

Brasil, maior exportador mundial

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne de frango. O segmento tem um PIB de mais de R$ 50 bilhões e gera 3,6 milhões de empregos diretos e indiretos. De acordo com dados de 2018, a produção anual de frangos das granjas do país é da ordem de 12,8 milhões de toneladas. A maior parte (68%) é destinada ao mercado doméstico, que tem um consumo per capita de 42 quilos por habitante/ano.

Nas vendas externas, o Brasil ocupa o posto de maior exportador mundial, com 4,1 milhões de toneladas de frangos exportadas no ano passado para mais de 150 países nos cinco continentes.  São quase US$ 7 bilhões em receitas de exportações geradas para o País.

Mato Grosso é o sétimo no ranking dos maiores produtores. Mas, nos últimos anos, a produção aviária vem crescendo significativamente pelo fato de o Estado ser o maior produtor nacional de grãos, matéria-prima para fabricação de ração.

Como o seguro é calculado?

 O seguro sanitário é feito em cima do patrimônio produtivo, que são as aves. O valor desse patrimônio é calculado multiplicando a quantidade de aves de um Estado pela categoria (frangos, galinhas poedeiras ou matrizes para genética) e pelo preço dessa categoria.

Depois é mensurado o dano máximo provável de uma possível contaminação. Pelas normas do Ministério da Agricultura, se for detectado um foco, será necessário eliminar as aves num raio de 3 quilômetros. Se nesse perímetro houver outro aviário, o raio vai aumentando e pode chegar a 10 quilômetros.

De acordo com Sassi, Mato Grosso tem um patrimônio produtivo de R$ 525 milhões. “Na região de maior concentração, se houvesse um surto, na melhor das hipóteses a perda seria de R$ 60 milhões. Na pior, atingiria R$ 114 milhões”, explica.

Para Ariel Antônio Mendes, diretor técnico da Divisão de Aves da ABPA, as vantagens do seguro são duas. “A primeira é dar agilidade nas ações de eliminação das aves e contenção dos focos. A segunda é a indenização dos produtores”, diz.

Na opinião de Mendes, o seguro estimula o produtor a notificar, caso haja alguma enfermidade na sua criação. “O objetivo agora é replicar para outros Estados e, em pouco tempo, ter pelo menos a metade do plantel brasileiro segurado.”

Por Lívia Andrade

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